23.5.04

Para variar

das tretazetas, vou debitar umas considerações sérias. Quem vem à procura de risos talvez os vislumbrasse na minha disposição. Mas isso são contas de outro rosário. Há dias felizes. E nos dias felizes, não se escrevem posts: apareceu-me esta frase, enquanto tirava o ice tea do frigorífico. Porque as frases não se encontram em fábricas de pensamentos profundos, sentadas à beira de um rio ou na areia que se vai soltando dos pés no regresso de uma praia. Nem em desenhos nas nuvens, nem em fundos de copos vazios. A ideia é bonita, mas as frases surgem de dentro de latas, de malas de carros, de panelas ao lume, de filas de trânsito, de todo o lado incluindo frigoríficos. E em dias felizes não se escrevem posts. Se calhar escrevem. Mau sinal, para quase todos os que não entendem a compulsão da escrita, mas a escrita não é, ou não será sempre uma felicidade. É mais um vómito. Está dentro e sai. Assim. Não há como segurá-la. Por isso em dias felizes não se escrevem alguns posts. Ou, pelo menos, tretazetas; ou então tudo são tretazetas. Na verdade são. Mas fazemos de conta que não. Ou chamamos compulsão ao vício, um nome mais bonitaço para a mesma coisa. E escrevemos coisas sérias a rir, em dias felizes. Nos outros, escrevemos coisas sérias a brincar. ...que carrada de tangas...já em miúda, nos exames, enchia páginas de palha, aqui é o mesmo...
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